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terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Sobre o desejo de viajar e a felicidade de conseguir.


Eu me considero uma pessoa cansada. Mais fisicamente do que mentalmente. Talvez seja porque eu trabalho desde os 14 anos e não faço a menor ideia do que é passar uma segunda-feira em casa e atoa. Talvez seja porque eu faço faculdade e chego em casa quase na hora de acordar pra ir trabalhar novamente. Talvez seja porque no final de semana eu passo o dia em algum lugar legal e não descanso direito. Não estou reclamando, eu escolhi isso. Eu preciso fazer o que faço pra daqui uns anos eu estar exatamente onde eu quero estar. Mas todo mundo merece um descanso, inclusive eu. Na maioria das vezes eu nunca soube me recompensar pelo esforço que eu fazia e muitas vezes eu não me achava esforçada, pra mim, era mais do que minha obrigação trabalhar por conta desde cedo. Mas não era bem assim.
Não me canso de me contar essa história: Todos os anos eu faço uma lista de coisas que quero realizar no ano seguinte, antigamente eram coisas bobas, como por exemplo comprar todos os cds do Paramore. Mas tinha um item, que sempre esteve, todos os anos desde que me recordo. Viajar pra fora do país. Confesso que eu não entendia direito sobre o que se tratava, não media as responsabilidades. Eu sempre fui apaixonada por Nova York(culpa dos filmes, seriados e Gossip Girl, principalmente culpa de Gossip Girl) e meu sonho era conhecer essa tão sonhada cidade. Mas ao passar dos anos eu me desiludi com esse suposto sonho, os anos se passavam e meus pais não queriam. Nem nos meus 15 anos pude realizar. Todavia, no belo ano de 2013, com a mente mais realista percebi que viajar para Nova York era impossível, pelo menos na epoca. E pela primeira vez, eu não a coloquei na lista. E em janeiro, simplesmente do nada, meu pai me deu esse presente. Acho que esse foi o momento com mais borboletas no estomago da minha vida, o momento em que eu percebi, finalmente, que sonhos podem se realizar.
Meu primeiro intercâmbio foi inesquecível. Nova York é inesquecível. Eu poderia escrever por horas aqui sobre o quanto eu gostei dessas 3 semanas que passei por lá, mas este não é o foco do texto. Só queria dizer que por conta dessa viagem pus uma meta na minha vida. Pelo menos 1 vez por ano eu deveria fazer uma viagem internacional. Eu peguei o desejo de conhecer do mundo. Culturas e lugares diferentes. Nessa viagem aprendi que nada é impossível se a gente tentar e que não é preciso saber falar fluentemente pra se comunicar em cidades grandes. Eu vi que essa seria a melhor recompensa que eu poderia me dar pelo meu próprio esforço.
Em 2014 decidi que iria para Buenos Aires. O que mais me decidiu à ser esse destino foi o fato de que seria pago pelo meu próprio dinheiro e eu não ganhava o suficiente para ir para lugares mais distantes. Nem ao menos lembro quantas pessoas eu chamei para irem comigo. Depois de muitos "Não rola!" eu decidi ir assim mesmo. Eu tinha metas a cumprir, e depender dos outros pra isso é um saco. Eu nunca tive medo de sair sozinha, nem vergonha e nem nada. Sempre gostei de ficar sozinha comigo mesma. Sempre fui um pouco solitária. Acontece que ter viajado sozinha foi uma das melhores decisões que já tomei na minha vida. Eu nunca refleti tanto na minha vida, percebi que as horas deitada na cama antes de dormir não foram nada demais e que muito sobre mim eu ainda não sabia. Posso dizer que com essa viagem aprendi a ter mais atenção, a ser mais confiante comigo mesma e principalmente me virar sozinha em qualquer situação desesperadora. 
Duas viagens depois, amadureci bastante. E passei a sonhar ainda mais alto. Com um emprego melhor e férias coletivas no carnaval, nem precisei pensar duas vezes. Fiz as pesquisar que sempre faço, fiquei tentando me decidir qual seria o destino. Fiz um orçamento de gastos, vi que eu teria que abrir mão de muitas por alguns meses para poder juntar dinheiro rápido e sem pensar muito nessas consequências negativas, cliquei em finalizar compra na decolar.com. Eu queria mesmo era fazer uma grande surpresa, mas minha ansiedade falou pra todo mundo no Instagram e no twitter o lugar pra onde eu vou. Sim, novamente estou indo sozinha, porém dessa vez irei dividir quarto em hostel. Não sei o que esperar dessa viagem, e nem quero pensar sobre. Eu sei que vai valer a pena o investimento e só isso me deixa aliviada.
Não estou dizendo que é fácil arranjar dinheiro pra ir, companhia de alguém ou permissão dos pais. Não é algo que cai do céu. Mas também não é impossível, pesquisando pode ser mais barato do que parece e com força de vontade a gente chega lá. Em 2016 eu quero atravessar o oceano, conhecer algum país na Europa e se Deus me permitir queria poder voltar a Nova York pra matar a saudade. Se vou conseguir eu não sei. Mas sonhar sempre é bom, né? E felizmente acredito na minha capacidade para viver isso. 
Mesmo tendo viajado somente duas vezes, já me sinto no direito de falar que viajar, certamente, é o que me faz mais feliz. É a unica coisa cara que eu tenho coragem de pagar e que vale muito a pena. Eu recomendo a todos que façam isso. Somos jovens, temos a vida inteira pela frente. Da tempo, é só não desistir. Sei que quando eu digo, vocês podem até não entender porque de ser algo tão bom. Mas só os viajantes sabem o quanto isso é especial. E só eu sei, o quanto isso é especial para mim. 

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